Olhe
na sua volta, preste atenção!
Elas ensinam a desvendar os mistérios da vida
Nem
sempre as árvores acompanham nossas expectativas. Quando se trata do
crescimento delas, é comum a nossa impaciência de ver a muda já formada, dando
sombra, flores e, quem sabe, aquela fruta saborosa, por que não? Queremos,
porque queremos, que ela alcance o tamanho definitivo logo e a nossa paciência
acaba bem antes do desenvolvimento final dessa árvore.
É
certo de que existem algumas essências nativas que progridem com bastante
rapidez, como o guapuruvú, a embaúba, o capixingui, o monjoleiro e muitas
outras que enriquecem as paisagens de nossas matas e de nossos campos. No
entanto, notem que são os paus-brasil, as castanheiras, as imbuias e as
castanhas-do-pará as que fornecem as melhores madeiras e os frutos mais nobres.
Estas últimas são longevas e respeitadas pelas outras árvores, na floresta, que
se sentem protegidas e estimuladas a reproduzir suas virtudes.
Isso,
talvez, seja a sutil indicação de que, para conseguir o melhor, precisamos
controlar nossas ansiedades e aflições. Sermos pacientes na construção do
futuro, vivenciando cada instante. Igual a uma árvore majestosa, que se
alimenta das experiências que a vida lhe oferece, sem importar-se com as
tormentas ou vendavais, mas com as sucessivas tentativas de aprimorar a
essência que a vivifica.
Nestes
milhares de anos, a raça humana tem andado muito e muito tem experimentado
sofrendo e suportando provas. Essas tentativas de crescimento tiveram sempre
por perto e como inspiração o que os animais faziam para sobreviver. Do mesmo
modo que as mulheres e os homens copiavam os costumes olhando os bandos e as
manadas de bichos, inconscientemente ouviam as sugestões mudas do arvoredo. Nos
bosques podiam assistir a luta das pequenas árvores para alcançar a luz do sol,
ou a competição para atrair um pássaro, que garantiria a perpetuação da
espécie, polinizando as flores. Descobriam dessa forma, que só as firmes e
esforçadas continuavam a existir, não por causa da força física, mas pela
energia de caráter.
Apenas
não consigo entender, ainda, como algumas plantas controlando o próprio
sofrimento, se escondem da vida dentro dos bulbos, esperando um momento
propício para reviver.
